domingo, 19 de julio de 2015

O pai





Rafa e eu nos conhecemos faz pelo menos 17 anos. As primeiras lembranças que tenho dele são dos intervalos das aulas do colegial, nos jardins daquela Escola Técnica de Lins. Visivelmente sonolento, não raro com a cara frisada da marca do merecido repouso em algum livro ou caderno, de camiseta branca e cabelo raspado. É engraçado, porque na época ele não significava muita coisa na minha vida - sabia o nome e pouco mais - mas num intervalo daqueles, me lembro perfeitamente, dediquei um pensamento àquele garoto: “que desinteressante”. Ele diz que pensava a mesma coisa sobre mim: uma hiporonga nada atraente, de cabelo vermelho tingido, que andava de mobilete aos 14 anos.

Ele voltou a aparecer na faculdade em Londrina, grande amigo de grandes amigos, até que fomos morar no mesmo prédio. Não sei bem como ficamos tão grudados: trocávamos música, íamos ao cinema, almoçávamos nos finais de semana. De repente, o Rafa sempre estava nos planos. Demorou dois anos até a amizade virar paquera e namoro. Desde então nossa caminhada juntos foi cheia de encontros e despedidas. A partida para a Espanha, a ponte aérea Londres- Barcelona, o primeiro apartamento no prédio de 1848 no Born, a Asa Sul, a distância entre as asas e finalmente a Asa Norte. 

Endereços e mudanças que desde sempre buscamos para dar conta de tanto sentimento, desde os idos de 2003. Rafa é meu grande cúmplice nessa vida, ele é meu parceiro nessa aventura cheia de desafio e delícias... ele é o pai. Essa foto é a primeira que tenho dele, com um mês ou dois de namoro. A seguinte é a última tirada dele com o bebê de amigos, feita ontem... Sim, só melhoramos com o passar do tempo.