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miércoles, 22 de julio de 2015
domingo, 19 de julio de 2015
O pai
Rafa e eu nos conhecemos faz pelo menos 17 anos. As primeiras
lembranças que tenho dele são dos intervalos das aulas do colegial, nos jardins
daquela Escola Técnica de Lins. Visivelmente sonolento, não raro com a cara
frisada da marca do merecido repouso em algum livro ou caderno, de camiseta
branca e cabelo raspado. É engraçado, porque na época ele não significava
muita coisa na minha vida - sabia o nome e pouco mais - mas num intervalo
daqueles, me lembro perfeitamente, dediquei um pensamento àquele garoto: “que desinteressante”.
Ele diz que pensava a mesma coisa sobre mim: uma hiporonga nada atraente, de
cabelo vermelho tingido, que andava de mobilete aos 14 anos.
Ele voltou a aparecer na faculdade em Londrina, grande amigo
de grandes amigos, até que fomos morar no mesmo prédio. Não sei bem como ficamos tão grudados: trocávamos música, íamos ao cinema, almoçávamos nos
finais de semana. De repente, o Rafa sempre estava nos planos. Demorou dois anos até a amizade virar paquera e namoro. Desde
então nossa caminhada juntos foi cheia de encontros e despedidas. A partida
para a Espanha, a ponte aérea Londres- Barcelona, o primeiro apartamento no
prédio de 1848 no Born, a Asa Sul, a distância entre as asas e finalmente a Asa
Norte.
Endereços e mudanças que desde sempre buscamos para dar
conta de tanto sentimento, desde os idos de 2003. Rafa é meu grande cúmplice
nessa vida, ele é meu parceiro nessa aventura cheia de desafio e
delícias... ele é o pai. Essa foto é a primeira que tenho dele, com um mês ou dois
de namoro. A seguinte é a última tirada dele com o bebê de amigos, feita
ontem... Sim, só melhoramos com o passar do tempo.
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